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Inquietante Gero Doll

Por Letícia Kapper

Tradução João Aires

Nascido na Namíbia e radicado em Berlim, Gero Doll é daqueles artistas que inquietam quem tem contato com a sua obra. Ele é conhecido por uma série de filmes digitais alucinatórios, que serão mostrados em exposição no Sítio em junho deste ano.

Suas obras, de maneira geral, retratam “a natureza das coisas”. A partir delas é possível visualizar o mundo subconsciente da imaginação, as metaimagens, a “imprevisibilidade”, os “acidentes”, tudo como uma metáfora para a internet, criando uma relação que estimula o sistema límbico de antigos temores e emoções do “animal humano”. Confira a entrevista com Gero Doll.

 

Quando e como sua carreira artística começou?

Minha carreira começou em 2011 quando mudei para Berlim. Depois de estudar Design Gráfico em Hamburgo, no Instituto de Design, de 2006 até 2010.

 

Você escolheu o suporte audiovisual digital. Porque?

Experimentei a mídia digital no início de 2008, quando eu aprendi diferentes softwares para me expressar. O trabalho de áudio foi incorporado nas minhas primeiras animações. Um exemplo: A recorrência eterna (abaixo). Nele, eu fiz a gravação e edição de som. Na época, não conhecia muitas pessoas, o que poderia me ajudar no que diz respeito ao design de som e ao trabalho sonoro. Foram abordagens muito ingênuas, mas absolutamente necessárias para entender como as coisas funcionam ao trabalhar de forma criativa. Agora, ocasionalmente, trabalho com som também, mas confio muito em Olivier Girardot, que é um compositor e designer de som profissional muito talentoso de Paris, que reside em Berlim.

 

Como a internet interfere em seu trabalho?

A Internet é um ótimo lugar para os artistas compartilharem o trabalho e receberem, imediatamente, respostas positivas ou negativas. Em última análise, ajuda a melhorar o trabalho. Também ocasiona uma exposição global muito interessante: é possível ver novas tendências e ver o que as pessoas gravitam. No entanto, acho que os artistas devem ser honestos consigo mesmos e não serem influenciados pelo o que está em alta.  Acredito que é preciso produzir o que realmente se sente e é significativo. É mais honesto para o trabalho, no meu ponto de vista.

 

Seu olhar, expresso em seus filmes, sempre vai além do óbvio e da objetividade. O que o atrai para esse “outro lugar”?

Para ser sincero, pura curiosidade e desejo de revelar a minha imaginação. Contemplando as mudanças descontroladas e a imprevisibilidade da arte na nova era digital.

 

Ao descrever uma de suas obras, encontrei o termo sociedades inconscientes. Você pode nos contar um pouco mais sobre isso?

Não consigo lembrar onde usei o termo “sociedades inconscientes” ou em que contexto isso foi expresso. No entanto, a noção de uma sociedade inconsciente está em grande parte relacionada com o subconsciente. Essencialmente do que não sabemos ou o que está no fundo do mundo imaginativo. Agora, pode-se argumentar se este mundo é “real”. Eu acho que, embora não possamos nos envolver fisicamente com este mundo ainda, não é legítimo rotular isso de forma irreal ou inexistente. Eu acho que essa é uma parte muito importante da pesquisa para entender o que realmente está acontecendo no mundo “inconsciente”. Novas tecnologias, como a VR e a AR, estão começando a apontar na direção desse novo campo de realidades.

 

Você trabalha com parcerias. Olivier Girardot é um deles. Como foi essa conexão entre você e o que resultou disso, no seu ponto de vista, nos trabalhos?

Colaboramos em 7 projetos de filmes. Um deles “AdvancedTruth”, que praticamente se espalhou por vírus na web e recebeu aclamação da crítica.
Trabalhar com Olivier é realmente revigorante e gratificante, já que falamos o mesmo idioma quando se trata de definir o que o tom do trabalho real deve ser. Eu dou uma referência visual e Olivier interpreta isso para incorporá-la em suas composições de som.

 

Veja também: A Caótica de Gero Doll

 

Saiba mais sobre Gero Doll – site oficial. 

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