Entrevista com Márcio Mota

O artista visual e pesquisador, Márcio Mota, realiza residência artística aqui no O Sítio. Durante este período, Márcio realiza a Exposição Imagem em Processo II: Incógnita Variável, entre os dias 6 e 29 de setembro, e ministra o Workshop Videoarte + video mapping: criações poéticas com projeção de vídeo, nos dias 1º e 8 de setembro.
Confira a entrevista realizada com o artista exclusivamente para a Sitioteca do O Sítio.

1) Qual profissão/ofício você sonhava ser quando era criança?

Eu não me lembro de pensar em profissão durante a infância. Lembro que meu pai não gostava de ser servidor público. Hoje sou servidor público.

2) Quais são os artistas que mais influenciam o seu trabalho ?

Corpos Informáticos (meu grupo de formação), Tony Oursler, Stan Vanderbeek e Anthony McCall.

3) De que forma você acredita que a arte pode influenciar a sociedade?

A arte contemporânea costuma criticar e tensionar o campo normativo da cultura.  Socialmente, a arte vibra, emana. Opera de forma homeopática, pingando ali e aqui, contaminando aos poucos. Vezes corta, rompe.

4) O que te levou a produzir com as novas mídias?

Minha ligação com a música fez com que eu me aproximasse do campo da videoarte. A temporalidade narrativa e suas derivações me interessam. Comecei pensando o vídeo para o monitor e aos poucos fui saindo. Em 2010 eu e o artista Fernando Aquino formamos a dupla “Tuttaméia”, que tinha como característica projeções de vídeo, em pequena escala, sobre objetos do cotidiano. Ali começamos a trabalhar com projeção mapeada de forma intuitiva. Em 2012 entrei para o mestrado e desenvolvi a dissertação “video mapping / projeção mapeada: espaços e imaginários deslocáveis”, pesquisa teórico–prática, que ainda persigo de forma prática. A partir daí venho pesquisando a vídeo projeção tendo como foco a plasticidade e possibilidades da luz como materialidade plástica. Nesse sentido, os efeitos sinestésicos e as possibilidades de presentificação do audiovisual se tornaram central na minha procura.

5) Você já conhecia O Sítio antes do convite para a residência?

Não

6) Como está sendo sua residência artística aqui no O Sítio?

É uma experiência muito boa ter um momento de descolamento mental, espacial e espiritual para se dedicar exclusivamente a pensar questões relativas à arte e à vida. As trocas com a equipe do Sítio, as caminhadas na região, um certo olhar estrangeiro (pois ainda não conhecia Florianópolis), formam uma teia em processo que certamente tem um lado formativo para todos. Outra coisa é que a residência oferece um suporte técnico e material voltado para pesquisa em arte tecnologia que certamente é impar no Brasil, o que torna a experiência criativa na residência muito fluida e gratificante.

7) Como você acha que as novas tecnologias estão afetando a arte?

As tecnologias formam um campo combinatório de perspectivas de uso que os artistas costumam forçar para fora do centro. É uma troca mútua, pois de certa maneira, os artistas dão às novas tecnologias novas perspectivas. Diferente das ciências exatas, a metodologia de pesquisa prática e poética de um artista é autossuficiente, pois não há uma regra exterior que opere sobre ela num sentido normativo e regulatório.

8) Como será a arte em 2050? Nos dê seu panorama.

A computação será espacial, baseada em realidade mista. A programação será obrigatória nos currículos escolares. A desmaterialização será tão grande que será constatado que os indivíduos das novas gerações estão desenvolvendo uma sensibilidade tátil ligada às imagens virtuais de realidade mista. Tecnologias telepáticas surgirão.  Mudanças no genoma humano serão atribuídas ao ecossistema tecnológico. Surgirá uma teoria de que estamos caminhando para um novo estágio de cognição onde o que antes era mediado por próteses tecnológicas, aos poucos será corporificado nas nossas capacidades cognitivas, sendo as principais delas a telepatia e o olhar tátil. Alguns artistas começarão a criar trabalhos com tecnologias telepáticas e a arte se “materializará” no pensamento do espectador. As exposições serão transmitidas telepaticamente, mas todos sentirão sede.

SERVIÇO

Exposição Imagem em Processo II: Incógnita Variável

Quando: Abertura 6 de setembro, às 19h.

Visitação: De 7 e 29 de setembro, nas quartas, quintas e sextas das 17h às 21h e aos sábados das 14h às 20h.

Entrada franca.

Saiba mais: http://bit.ly/expoimagemprocesso

Workshop Videoarte + video mapping: criações poéticas com projeção de vídeo

Quando: 1º e 8 de setembro, das 16h às 19h.

  • João Aires

    João Aires é coordenador cultural do Sítio. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (2011), graduou-se em Artes Plásticas...

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