LUZ, CÂMERA, AÇÃO! Qual o papel do storytelling hoje?

A famosa expressão do título foi criada por um dos pioneiros do cinema, D. W. Griffith, da época em que os estúdios não tinham iluminação artificial e eram recobertos por uma cúpula de vidro e cortinas que filtravam a entrada de luz natural.

No set, quando Griffith dizia “LUZ!”, seus ajudantes abriam as cortinas. Ao falar “CÂMERA!”, o operador rodava a manivela da máquina. E ao som de “AÇÃO!”, os atores começavam a encenar.

Foi a paixão pelo cinema que me moveu a trabalhar com Storytelling e a disseminar os princípios das boas narrativas cinematográficas para a comunicação de pessoas e marcas.

Por isso, tomo a famosa frase de Griffith como uma metáfora para me ajudar a responder à pergunta: para que raios serve o tão falado Storytelling?

Em síntese, acredito que o storytelling está a serviço de três coisas essenciais:

1) Iluminar a consciência sobre nossa própria história (LUZ!)

Nossa história é construída enquanto vivemos e, a cada momento, fazemos escolhas baseadas em expectativas que, muitas vezes (ou até todas as vezes), não se realizam como imaginávamos. Mas é justamente essa a graça da vida.

Ao construirmos uma narrativa, temos a oportunidade de olhar para essas escolhas que fizemos, suas consequências e, então, conscientemente ligar os pontos.

Steve Jobs em seu famoso discurso aos graduandos de Stanford, disse, sobre uma das histórias que contou sobre sua vida: “Você não consegue ligar os pontos olhando para a frente. Você só consegue ligar os pontos olhando para trás.”

 

 

A forma que proponho com o método O MAPA DA NARRATIVA para iluminar a consciência sobre nossa história parte de perguntas que nos levam a descobrir o que nos motiva a determinadas escolhas, por que determinados desafios se colocam perante a gente, que estratégias usamos para lidar com eles, quais os aprendizados que tiramos, o impacto que esperamos causar no mundo, entre outras questões.

Essa busca por encontrar e expressar nossa essência na comunicação serve para narrativas pessoais e também empresariais.

Ao fazer esse exercício estamos começando a…

2) Praticar um olhar narrativo em nossas vidas (CÂMERA!)

Tornar nossas escolhas mais conscientes e guiadas por nossa essência faz parte do que chamo de um olhar narrativo para a vida. Isso vai se manifestar na forma como nos comunicamos, nos relacionamos e engajamos a nós mesmos e aos outros em nossa visão, ideias e projetos.

O olhar narrativo tem tudo a ver com empatia.

Tomei conhecimento ao ver um brilhante vídeo do Nexo da uma teoria, contada no livro “Sapiens”, de que o motivo de nossa espécie ter prevalecido sobre outras espécies humanas com os quais coexistimos há mais de 300 mil anos foi a nossa capacidade de contar e acreditar em ficções.

Ficção não é sobre contar mentira, como diz esse artigo do nosso blog. Existem muitas narrativas e ficção verdadeiras que nos fazem identificar valores e atitudes comuns a todos nós, como o filme “Beleza Americana”, que analiso aqui. E, logo, nos conectarmos com nossa essência humana.

Não é fantástico? Pensar que nossa capacidade de construir e contar narrativas foi essencial para sobrevivermos e chegarmos até aqui?

Foi por meio da conexão gerada a partir de histórias que passamos a nos engajar e colaborar em grupos cada vez maiores.

Por isso que o grande propósito do Storytelling para mim é…

3) Conectar pessoas (AÇÃO!)

É comum encontrarmos o Storytelling muito associado à convencimento, persuasão, venda de ideias. Mas acredito que em essências as histórias existem para que possamos nos conectar.

A partir da conexão, muitas ações podem acontecer em diversas esferas, não só de negócios, como de relacionamento, impacto social e ambiental no planeta. A sobrevivência de nossa espécie até hoje diz muito sobre isso.

A escritora e ativista Sisoke Msimang faz uma provocação muito interessante sobre o papel do Storytelling em tempos de tanta informação, redes sociais e consumo de conteúdo.

Ela diz que as histórias não fazem do mundo um lugar melhor, como as mídias tentam nos fazer acreditar. O que muda o mundo é a ação tomada pelas pessoas a partir da conexão com as histórias.

Apesar do imenso fluxo de histórias que circulam pelas redes de todos os cantos do planeta em tempo real, vejo que ainda é essencial hoje em dia abrir espaços para que as pessoas se olhem no olho, explorem e compartilhem suas histórias pessoais e promovam mais conexão na forma como se comunicam.

Por isso, agora em Agosto realizo o primeiro curso aberto presencial do método O MAPA DA NARRATIVA em três encontros de muita conexão no Sítio, um espaço muito inspirador, na Lagoa da Conceição, em Florianópolis.

Vamos praticar ali a LUZ na iluminação de histórias, a CÂMERA, no olhar narrativo que capta e produz histórias para serem compartilhadas e a conexão  para abrir muitas possibilidades de AÇÃO para os participantes.

Se te interessou, confira mais detalhes aqui.

  • Olavo Pereira Oliveira

    Mentor de Narrativas Jornalista e cineasta motivado por criar narrativas que expressam a autenticidade de pessoas e empresas.

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