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Arquipélago

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SOBRE A EXPOSIÇÃO

Arquipélago foi um espaço independente de arte que resistiu de 2007 a 2010, aqui na Ilha. Sua breve e intensa existência foi uma tentativa de resposta ao contexto semi-árido do circuito local de arte contemporânea. A vontade de tornar concreto o projeto de um lugar capaz de acolher a produção não absorvida pelas instituições locais, criar canais de conversa entre os artistas e investigar outras formas de auto-sustentar a produção local, foram propostas fundadoras do Arquipélago. O desejo temperado com utopia, movia uma série de artistas na investigação de estratégias de sobrevivência para a produção de arte.
A exposição Arquipélago divide-se em um núcleo documental, com registros que contam parte da trajetória do espaço independente de arte Arquipélago, e outro que procura reinventar este percurso a partir da imagem de travessias inacabadas, pequenos naufrágios e ilhas imaginárias.
Para integrar este segundo núcleo, denominado Fôlego, foram convidados artistas que fizeram parte da trajetória do Arquipélago e em cuja produção emergem aspectos ao mote acima exposto: Daniela Vicentini, Fábio Noronha, Gabriele Gomes, Glaucis de Morais, Mariana Silva e Marcos Sari. A este corpo de trabalhos soma-se também obras das artistas Letícia Cardoso e Fabiana Wielewicki, idealizadoras do Arquipélago e desta exposição.
O fôlego, mais do que combustível para concluir o trajeto, é tempo respirado em desafio. Sua imagem evoca o poder humano de resistir em contextos adversos. Vale lembrar que também é um atributo importante na arte da navegação (e diplomacia): o fôlego é fundamental quando se pretende reunir (ou trazer para a conversa) pequenas porções de terra aparentemente isoladas.
Um arquipélago se une pelo mar – esta vasta extensão de água salgada que sofre constantemente alterações de correntes marítimas que (no campo da utopia) são capazes de movimentar ilhas e (no campo dos desastres) podem provocar naufrágios.
A maré nunca interrompe seu movimento, e as circunstâncias que unem também podem afastar pessoas (e ilhas). O caráter temporário que marcou a existência do Arquipélago não despotencializa ou apaga suas pegadas. A imagem que permanece é a dos arquipélagos e sua capacidade de se mover no tempo e no espaço. Apenas as ilhas conhecidas estão nos mapas, lembra-nos Saramago em O conto da ilha desconhecida. Os contextos semi-áridos são sempre propícios ao exercício de se vislumbrar outras ilhas.

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