EN PT

Exposição A Tecnologia que nos Ode

0282-A-tecnologia-que-nos-ode

Na quinta exposição deste ano, na Galeria Digital do O Sítio, recebemos Adriane Kirst e Ricardo Mello, com o trabalho, A Tecnologia que nos Ode, os dois trabalham juntos desde 2011 em projetos que envolvem novas tecnologias e interatividade, fazendo uso de diversos dispositivos e abordagens, entendendo a pesquisa, a programação e a leitura de dados como arte.

* Ode é um poema de estilo particularmente elevado e solene, elaboradamente estruturado, descrevendo intelectual e emocionalmente a natureza e o mundo.

A TECNOLOGIA QUE NOS ODE*
Complexa.
Nebulosa.
Contraditória.
Usamos mas não temos a menor noção de como a coisa toda acontece.
Usamos mas não temos a menor noção de como as coisas podem desvirtuar.
Nos conectamos desconectamos.
Nos desconectamos conectados.
Ajuda e atrapalha.
Informa e desinforma.
Une e isola.
Permite o acesso e a exclusão
Espalha verdades verdadeiras e mentiras mentirosas
E os usuários?
Creem ser emancipados.
Vivem em uma intimidade pública.
Uma segurança insegura.
Uma proteção desprotegida.
Quem vê? Vê o que?
Observador/observado.
Massa informe.
Apertadores de botões.
Deslizadores de telas.
Touch/Toque.
Conhecedores pelas pontas dos dedos.
Imersos nas imagens técnicas.
Que mostram cenas apresentadas como reais.
Vero semelhança daquilo que não existe.
Não há nada de palpável ali, tudo dissolve-se em pontos.
E a alteridade da imagem?
Quem percebe?
Mostruário da presença.
Onde aqui estou, aqui estamos, aqui estás.
Em choque dialético.
Em dupla potência.
A dobra sombria.
O engano.
O bug.
O controle descontrolado.
O vazio lotado.
Resta a entropia.

Citação/apropriação/montagem a partir de imagens/textos de Jacques Rancière e Villén Flusser.
* Ode. o·de. sf. 1 Entre os gregos, composição poética para ser cantada e acompanhada pela lira, com métrica e conteúdos variados. 2 Composição poética do gênero lírico em que se exaltam atributos de homens ilustres, o amor e outros sentimentos. (http://michaelis.uol.com.br/busca?id=ZNx7K).

Memorial técnico:
Ode I
“Trata-se de organizar um choque, de por em cena uma estranheza do familiar, para parecer uma outra ordem de medida que só se descobre pela violência de um conflito”(RANCIÈRE, 2012, p.67).

A partir do acesso a um banco de dados, desenvolvemos um infográfico, uma visualização. Leitura, relação, exposição. Beleza dos fatos. Beleza manipulada.
Impresso, cartaz + ou – 2m X 3m (medir a parede)
(Local: primeira sala, entrada)

Ode II
“[…] trata-se de fazer aparecer um mundo por trás de outro: o conflito distante por trás do conforto do home […]” (RANCIÈRE, 2012, p.67).

As imagens técnicas estão soltas nas nuvens. Vagam no cosmos tecnológico. Abertas na imensidão podem ser capturadas. Vulneráveis. Passam a estar lá e aqui.
Trata-se de uma instalação composta por uma sala com telão e totem com um botão touch e arduino. Na tela vídeos ao vivo de câmeras que encontram-se abertas na internet. Apertando o botão verde pode-se ir trocando as cenas/locais.
Para a execução do trabalho, escolhemos uma marca de câmera com boa resolução e que ao mesmo tempo permitisse o seu acesso pela internet sem dificuldade. A marca de câmera escolhida foi a Hikvision. A seguir, foi feito a pesquisa de câmeras no mundo, utilizando um trecho de texto presente na tela administrativa das câmeras Hikvision.
Foram encontradas mais de 172 mil câmeras disponíveis para acesso online, somente desta marca de câmera, e guardamos isso num banco de dados.
Escolhemos aleatoriamente algumas câmeras para uso no trabalho, usando pouca filtragem, para que refletisse uma amostragem com pouca interferência dos temas de filmagem.
Criamos um programa que se responsabiliza por mostrar em tempo real, a imagem de uma câmera de vigilância, atualizando a cada 5 segundos (imagens online). Antes da troca de cena, aparece um mapa da região onde a câmera está instalada. Essa informação é descoberta através do ip da câmera e a consulta ao banco GeoLite2.

Ode III
“A potência da […] imagem que junta heterogêneos, então, é aquela da distância e do choque que revelam o segredo de um mundo, isto é, outro mundo […]” (RANCIÈRE, 2012, p. 67).

Seus destinos podem ser qualquer um. O que era live passa a ser um print screen. Apropriação. Montagem. Colagem. Entropia.
Esta instalação acontece a partir da curadoria de imagens obtidas dos vídeos. Coletadas em diferentes ambientes e horas do dia. Apresentadas de forma aleatória porém sem repetição.

Currículo Resumido do artista:
Adriane Kirst atua como artista, professora e pesquisadora, possui doutorado em Artes Visuais (Ensino), pela Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. Fez curso de Introdução a Infografia pela Knight Center for Journalism in the Americas, KCJA, Estados Unidos e, Introdução a Curadoria na Central Sant Martins, University of the Arts London – UAL, Inglaterra. Participa do Grupo de Pesquisa Entre Paisagens, Grupo de Estudos Estúdio de Pintura Apotheke, UDESC/CNPq e DesignLab do Programa de Pós-Graduação em Design e Expressão Gráfica da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

Ricardo Mello possui formação técnica em informática industrial pela ETEP e faculdade de publicidade Anhembi Morumbi, trabalhou por mais de 20 anos nas mais diversas áreas da ciência da computação. Por dez anos foi sócio de um escritório de computação gráfica e multimídia em São Paulo, o WYTWYG, produzindo cds, kiosks, animações e comerciais para grandes empresas, como Sabesp, Natura, Novartis, Furukawa, entre outras. Foi fundador da ONG Quilombo Digital, que abordava os aspectos éticos e filosóficos do Software Livre, ministrando palestras por todo o país e no Senado. Trabalhou em Telecoms como a Atrium Telecom, fazendo sistemas de bilhetagem e coleta de registros de chamadas telefônicas. Nos últimos anos trabalha no mercado de jogos, em empresas como a Hoplon e a Hydra, fazendo servidores de alta performance para jogos online.

Exposição
A Tecnologia que nos Ode
Artistas: Adriane Kirst e Ricardo Mello
Abertura: 09.05
Horário: 19h
Visitação: de 10/05 até 01/06 (quartas, quintas e sextas das 17h às 21h e aos sábados das 14h às 20h)
Entrada franca

Organização: Equipe O Sítio, Adriana Kirst e Ricardo Mello
Produção: João Aires e Bruno Castilho
Comunicação: Paulo Abarno
Design: Oarteiro

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *