“Hambúrguer” de Diego De los Campos

Diego de Los Campos, artista radicado em Florianópolis, traz para o Sítio um trabalho inédito: “Hambúrguer”. Nele, um sanduíche vendido em um fast food demorou 8 meses para ser consumido totalmente pelos fungos, larvas e insectos. Diego registrou tudo e apresenta de forma dinâmica e contemporânea. Confira a entrevista com o artista.

 

Sabemos que está na Ilha há 18 anos. Quando começou a sua produção profissional em Artes Visuais?
Minha primeira exposição individual foi em 1993.

Como vê o panorama das Artes Visuais em Florianópolis?
Acredito que é bastante rico a nível de exposições e propostas artísticas, sobre todo o circuito de coletivos independentes que tem aportado bastante para a produção cultural na ilha. O mercado da arte é bastante insípido, o que dificulta o profissionalismo (ou vise-versa), e o artista não pode se dedicar por completo às artes, tem que trabalhar em outra coisa nada a ver ou dar aulas ou entrar para o universo acadêmico.

Qual sua intenção ao trazer a exposição “Hambúrguer” para o Sítio?
Hambúrguer é um trabalho de 2012. Ele nunca foi exposto porque não sabia como. O trabalho consiste em um timelapse de um hambúrguer do McDonald’s. A ideia foi fotografá-lo cada 5 minutos até ele ser consumido totalmente pelos fungos, larvas e insectos. Baseado noutro timelapse que tinha feito com carne moída, que tinha durado 8 dias em desaparecer, calculei que o hambúrguer demoraria um mês. Errei feio. Demorou 8 meses em desaparecer. Isso fez com que a animação ficasse muito comprida e não tive coragem em descartar material. O Sítio me convidou fazer uma exposição usando todas as tvs e projetores, então foi o primeiro que veio a minha mente, apresentar o hambúrguer em todas as telas ao mesmo tempo, quebrando a linearidade da performance do “alimento em descomposição”.

O que pensa sobre fast food no consumo de massas?
Comer uma porcaria dessas uma vez cada tanto não tem problema, mas se alimentar com esse lixo pode gerar graves problemas de saúde. Acredito que nesse sentido o liberalismo está bastante soltinho. Deveria ter um controle mais rígido por parte do estado na qualidade de todos alimentos.

 

 

Essa exposição é inédita. Como este trabalho se relaciona com os outros que atualmente tem exposto?
Minhas últimas exposições foram de desenho e pintura, então não vejo muita relação. Talvez nas pinturas eu estou tentando mostrar uma fase oculta do ser, algo que vemos nas pessoas quando fechamos os olhos logo de olharmos pra elas, e a imagem fica na retina por poucos segundos se desintegrando. Essa desintegração, que graças ao timelapse podemos ver no hambúrguer, pode ser o comum denominador, mas pode que seja uma relação um tanto forçada, que inventei para responder sua pergunta, não sei.

O que o leva a usar tantos meios diferentes para a produção de obras?
Acredito que as técnicas estão ai para usá-las. Hoje em dia temos muita informação disponível e com um pouco de paciência e interesse podemos aprender a fazer muitas coisas legais. Cada técnica possibilita uma conexão ou uma afinidade diferente com o subconsciente o com uma ideia que queremos desenvolver. Nos primeiros timelapse que fiz, ficava por uma ou duas horas do lado da câmera batendo fotos com o disparador. Ai tive a ideia de fazer um timelapse com massa de pão, mas a coisa acontecia muito devagar, então fui pesquisar para comprar um temporizador, mas ai tinha que comprar dois ou três flashes e um aparelho para sincronizar eles. Ia gastar tipo mil Reais. Resolvi então fazer eu mesmo com Arduino um temporizador que liguei na câmera e em luzes que usei em vez dos flashes. Devo ter gastado R$ 50 contando o Big Mac. Sem isso não teria feito.

 

A exposição acontece a partir de 24/8 no Sítio. Saiba mais. CLIQUE AQUI

  • João Aires – Curadoria e produção

    João Aires

    João Aires é coordenador cultural do Sítio. Mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal da Bahia (2011), graduou-se em Artes Plásticas...

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